"Pela manhã, ao voltar Jesus à cidade, teve fome. E vendo uma figueira à beira do caminho, dela se aproximou, e não achou nela senão folhas; e disse-lhe: Nunca jamais nasça de ti frutos, no mesmo instante secou a figueira. E vendo isto, os seus discípulos maravilharam-se e perguntaram: Como é que repentinamente secou a figueira? Respondeu-lhes Jesus: Em verdade vos digo que se tiverdes fé e não duvidardes, fareis não só o que foi feito a figueira, mas até se disserdes a este monte: Levanta-te e lança-te ao mar, isto será feito e tudo o que, com fé, pedirdes em vossos corações, haveis de receber". (Mateus, XXI, 18-22 - Lucas, XIII, 6-9)
Sobre ela, assim fizeram comentários Cairbar Schutel, Paulo Alves Godoy e Rodolfo Calligaris
1 - CAIRBAR SCHUTEL Magnífica parábola! Estupendo ensinamento! Quantas lições aprendemos nestes poucos versículos do Evangelho! Se encararmos a narrativa pelo lado científico, observaremos a morte de uma árvore em virtude de uma grande descarga de fluidos magnéticos, que imediatamente secaram a mesma. A Psicologia Moderna, com suas teorias edificantes e substanciosas, e com seus fatos positivos, mostra-nos o poder do magnetismo, que utiliza os fluidos do Universo para destruir, conservar e vivificar. A cura das moléstias abandonadas pela Ciência oficial é a mumificação de cadáveres pelo magnetismo, já se acham registrados nos anais da História, não deixando mais dúvida a esse respeito. No caso da figueira não se trata de uma conservação, mas ao contrário, de uma destruição, semelhante à destruição das células prejudiciais e causadoras de enfermidades, como na cura dos dez leprosos, e outras narradas pelos Evangelhos. A figueira não dava fruto porque sua organização celular era insuficiente ou deficiente, e Jesus, conhecendo esse mal, quis dar uma lição aos seus discípulos, não só para lhes ensinar a terem fé, mas também para lhes fazer ver que os homens e as instituições infrutíferas, como aquela árvore sofreriam as mesmas consequências. Pelo lado filosófico, realça da parábola a necessidade indispensável da prática das boas obras, não só pelas instituições, como pelos homens. Um indivíduo, por mais bem vestido e mais rico que seja, encaramujado no seu egoísmo, é semelhante a uma figueira, da qual, em nos aproximando, não vemos mais que folhas. Uma instituição, ou uma associação religiosa, onde se faça questão de estatuto, de cultos, de dogmas, de mistérios, de ritos, de exterioridades, mas que não pratique a caridade, não exerce a misericórdia; não dá comida aos famintos, roupa aos nus, agasalho e trato aos doentes; não promove a propaganda do amor ao próximo, da necessidade do erguimento da moral, do estabelecimento da verdadeira fé, esta instituição ou associação, embora tenha nome de religiosa, embora se diga a única religião fora da qual não há salvação (como acontece com o Catolicismo de Roma), não passa de uma "figueira enfolhada, mas, sem frutos". O que precisamos da árvore são os frutos. O que precisamos da religião são as boas obras. Os dogmas só servem pra obscurecer a inteligência; os sacramentos, para falsear os ensino do Cristo; as festas, passeatas, procissões, imagens, etc.. para consumir dinheiro em coisas vãs e iludir o povo com um culto que foi condenado pelos profetas dos tempos antigos, no Velho Testamento, e por Jesus Cristo, no Novo Testamento. A religião do Cristo não é a religião das ‘folhas’ mas sim, a dos frutos! A religião do Cristo não consiste nesse ritual usado pelas religiões humanas. A religião que o Cristo preconizou, não foi, portanto, a fé em dogmas católicos ou protestantes, mas, sim, a fé na vida eterna, a fé na existência de Deus, a fé, isto é, a convicção da necessidade da prática da caridade! Aquele que tiver essa fé, aquele que souber adquiri-la, tudo o que pedir em suas orações, sem dúvida receberá, porque limitará seus pedidos àquilo que lhe for de utilidade espiritual, assim como se tornará apto a secar figueiras, dessa figueiras que perambulam nas ruas seguidas de meia dúzia de bajuladores; dessa figueiras, como as religiões sem caridade, que iludem incautos com promessas ilusórias, e com afirmações temerosas sobre os destinos das almas. A figueira sem frutos é uma praga no reino vegetal, assim como os egoístas e avarentos são pragas na Humanidade, e as religiões humanas são pragas prejudicialíssimas à seara do Senhor. Não dão frutos; só contêm folhas. Estudada pelo lado científico, a parábola é um portento, porque, de fato, Jesus, com uma palavra, fez secar a figueira. Nenhum sábio da Terra é capaz de imitar o Mestre! Encarada pelo lado filosófico, a lição da figueira que secou é um aviso do que vai acontecer aos homens semelhantes à figueira sem frutos; e às religiões que igualmente só têm folhas! Nesta parábola aprende-se ainda que a esterilidade, parece, é mal inevitável! Em todas as manifestações da Natureza, aqui e ali, se vê a esterilidade como que desnaturando a criação ou transviando a obra de Deus! Nas plantas, nos animais, nos humanos, a esterilidade é a nota dissonante, que estorva a harmonia universal. Na Ciência, na Religião, na Filosofia, até na Arte a na Mecânica, o ferrete da esterilidade não deixa de gravar o seu sinal infamante! Acontece, porém, que chegado o tempo propício, a obra estéril desaparece para não ocupar inutilmente o campo de ação onde se implantou. A figueira estéril da parábola é a exemplificação de todas essas manifestações anômalas que se desdobram às nossas vistas. Para não sair do tema em que devemos permanecer e constitui o objeto deste livro, vamos comparar a figueira estéril com as ciências humanas e as religiões sacerdotais. À primeira vista, não parece ao leitor que a parábola se adapta perfeitamente a estas manifestações do pensamento absoluto e autoritário? Vemos uma árvore, reconhecemos nessa árvore uma figueira; está bem entroncada, bem enfolhada, bem adubada, vamos procurar figos e nem uma fruta encontramos! Vemos uma segunda "árvore", que deve ser a da vida reconhecemos nela uma religião que já permanece há muitos anos e vem sendo transmitida de geração a geração; procuramos nela verdades que iluminem, consolos que fortifiquem, ensinos que instruam, fatos que demonstrem, e nada disso achamos, a despeito da grande quantidade de adubo que lançam em redor dessa mesma "árvore". O que falta ao Catolicismo Romano para assim se encontrar desprovido de frutos? Falta-lhe porventura igrejas, fiéis, dinheiro, livros, sabedoria? Pois não tem eles seus sacerdotes no mundo todo, suas catedrais pomposas, seus templos? Não tem ele com o seuki papa a maior fortuna que há no mundo, completamente estéril, quando deveria converter esse tesouro, que os ladrões alcançam, naquele outro tesouro do Evangelho, inatingível aos ladravazes e aos vermes? Não tem ele milhões e milhões de adeptos que sustentam toda a sua hierarquia? Por que não pode a Igreja dar frutos demonstrativos do verdadeiro amor, que é imortal? Por que não pode demonstrar a imortalidade da alma, que é a melhor caridade que se pode praticar? E o que diremos dos seus ensinos arcaicos e irrisórios, semelhantes às folhas enferrujadas de uma figueira velha? Do seu dogma do Inferno eterno; do seu artigo de fé sobre a existência do diabo; dos seus sacramentos e mistérios tão caducos e absurdos, que chegam a fazer de Deus um ente inconcebível e duvidoso? E assim como é a religião, é a ciência de homens, desses mesmos homens que, embora completamente divergentes dos ensinos religiosos dos padres, por preconceito e por servilismo andam com eles de braços dados, como se cressem na "fé" pregada pelos sacerdotes! Essa ciência terrena que todos os dias afirma e todos os dias se desmente! Essa ciência que ontem negou o movimento da Terra e hoje o afirma; que preconizou a sangria para depois condená-la; que proclamou as virtudes do emético para anos depois execrá-lo como um deprimente; que hoje, de seringa em punho, transformou o homem num laboratório químico, para amanhã ou depois, condenar como desumano esse processo! E o que falta à Ciência para solucionar esse problema da morte, que lhe parece como fantasma funesto? Faltar-lhe-á "adubo"? Mas não estão aí tantos sábios? Não tem ela recursos disponíveis para investigação e experiência? Não lhe aparecem a todos os momentos fatos e mais fatos de ordem supra materiais, meta-materiais para serem estudados com método? Senhor! Está vencido o ano que concedestes pra que cavássemos em roda da ‘árvore’ e deitássemos adubo para alimentar e fortificar suas raízes! Ela não dá mesmo frutos e os adubos que temos gasto só tem servido para tornar a árvore cada vez mais frondosa e enfolhada, prejudicando assim o já pequeno espaço de terreno! Manda cortá-la e recomenda a teus servos que não só o façam, mas que também lhe arranquem as raízes! Ela ocupa terreno inutilmente. Em três dias faremos nasceu em seu lugar uma que preencha os seus fins, e tantos serão seus frutos que a multidão que nos rodeia não vencerá apanhá-los! A esterilidade é mal incurável, que se manifesta nas coisas físicas e metafísicas. Há pessoas que são estéreis em sentimentos afetivos, outras em atos de generosidade, outras o são para as coisas que afetam a inteligência. Por mais que se ensinem, por mais que se exaltem, por mais que se ilustrem, as mesmas permanecem como figueira da parábola: não há esterco, não há adubos, não há orvalho, não há água que se façam frutificar! Estas, só o fogo tem poder sobre elas!”
2 - PAULO ALVES GODOY Eis um dos numerosos ensinamentos de Jesus, que deixaria de ter sua razão de ser, se examinado à luz da unicidade da existência física. Como seria possível enquadrar a majestosidade da Parábola da Figueira Estéril, na estreiteza do dogma da existência única do Espírito na carne? Qualquer análise, mesmo superficial da parábola em tela, leva à conclusão de que o objetivo do Mestre, ao ensiná-la, foi de dar prova patente da multiplicidade das existências físicas do Espírito. Em Sua infinita misericórdia e amor, Deus propicia a todas as almas a possibilidade de se reencamarem sucessivamente, no propósito de assegurar-lhes a evolução através dos embates inerentes à vida corporal. Não foi outra a ideia do Cristo, quando asseverou a Nicodemos a imperiosidade do renascimento da água e do Espírito, equivalente à reencarnação do próprio Espírito no corpo material. Na parábola acima, o Nazareno ensinou que o Pai enseja a reencarnação, porém, exige a devida contraprestação representada na retribuição, através das boas obras: os frutos bons da ação desenvolvida no plano terreno. Ao Espírito não é dado permanecer, obstinadamente, na improdutividade ou na prática das más ações, sem que venha a sofrer o impacto da aplicação da lei eterna e imutável, que rege os destinos de todas as criaturas humanas, traduzido em expiação e resgate. A parábola em foco, interpretada em seu verdadeiro sentido, contém em suas entrelinhas uma ocorrência védica e comum de reencamação. Um Espírito obtém do Alto a graça da reencarnação neste ou em outro planeta, entretanto, decide-se a levar vida inútil e prejudicial a si e ao próximo. A morte física arrebata-o e a vida no além-túmulo dá-lhe a devida corrigenda, todavia, ao reintegrar-se novamente no convívio dos encarnados, continua o mesmo gênero de vida desregrada e improdutiva. O episódio da morte se repete com seu inenarrável cortejo de sofrimento no plano espiritual, porém, Deus misericordioso e bom dá-lhe outras oportunidades de reintegração no mundo corpóreo. Ainda, mais uma vez, não houve a esperada produtividade e evolução, e a lei torna a exigir o devido ajuste. O Mestre, na parábola representado pelo vinhateiro, roga ao Senhor dos Mundos para que nova oportunidade seja dada ao Espírito recalcitrante, cercada de outros carinhos e em outro ambiente (com a terra escavada e adubada), esperando, paciente, que, desta vez, surjam os esperados frutos. A atitude que vier a ser tomada pelo Espírito reencarnado é que irá resolver a situação. Se ele continuará a reencarnar (a ocupar o lugar na Terra), ou se cederá o lugar a outro e ser punido, por longo período, pelos sofrimentos indescritíveis de um umbral terrificante, onde há "choro e ranger de dentes", até que se decida, um dia, a merecer a dádiva generosa de poder, novamente, se reintegrar no mundo e submeter-se a nova série de experiências soerguedoras. Os livros espíritas nos dão esclarecimento de Espíritos que passam séculos e séculos no adormecimento ou entorpecimento. São estes, os Espíritos que estão resgatando, no tempo e no espaço, a falta oriunda da nulidade que representaram na Terra, e do mau uso que fizeram das oportunidades que o Pai lhes concedeu. O Pai não quer a morte do ímpio, mas quer que se redima e viva, consoante o que nos ensinou o profeta; entretanto o Espirito que malbarata os talentos e os dons preciosos que o Alto lhe concede, passará por longos períodos expiatórios nos planos inferiores da espiritualidade, deixando de ocupar a Terra inutilmente, e cedendo o lugar a seres mais predispostos ao trabalho e à produtividade. Certamente ele não se perderá, mas longos séculos decorrerão antes que venha a obter a graça de novas oportunidades de reintegração no ambiente físico. Deus, em Sua infinita misericórdia, concede sempre novas oportunidades a Seus filhos, quando estes fracassam nas tarefas que lhes são confiadas. A Parábola da Figueira Estéril é bastante decisiva. Nela vemos o empenho do lavrador em conseguir do Senhor da Seara que nova oportunidade fosse dada à figueira. No caso em apreço: um trato todo especial e com redobrado carinho, pois assim, talvez, ela viesse a produzir os frutos esperados. O Mestre comparou a figueira ao homem, entretanto, devemos convir que, muitos homens não conseguiram produzir boas obras, devido ao fato de terem sido conspurcados os mananciais dos ensinamentos revelados por Jesus Cristo. A mensagem viva que Ele nos legou, e que deve servir de roteiro para todas as criaturas, sofreu o impacto dos interesses mundanos e o seu esplendor foi ofuscado, temporariamente, pelos preceitos e por princípios doutrinários de natureza humana. As religiões passaram a acenar aos homens com mensagens dúbias; adornaram seus templos com pompas e riquezas; fizeram com que as tradições inócuas se constituíssem no ponto alto de suas cogitações; fomentaram lutas sangrentas e fratricidas por causas de dogmas petrificados; apresentaram um Deus com os mesmos atributos que eram conferidos ao Jeová, dos idos de Moisés; enfim, "ataram pesados fardos nos ombros dos seus prosélitos, mas nem com os dedos ousaram tocá-los", segundo o dizer judicioso de Jesus. Esse estado de coisas, agravado com o fato de se punir com a morte todo aquele que entrasse em comunicação com o mundo espiritual, fez com que os homens tivessem um falso conceito da Misericórdia Divina, passando a ver no Pai de amor e de justiça, que Jesus nos apresentou, um deus despótico, irascível, o deus de Torquemada, de Loyola, das cruzadas, da noite de S. Bartolomeu. A fé foi abalada, as convicções foram solapadas e os sentimentos de amor e de fraternidade se esfriaram. Os homens foram privados daquele manancial de água-viva que constituiu a cogitação primária de Jesus, e, como decorrência, arrefeceram-se os esforços em favor da reforma íntima e muitos se escudaram num sistema através do qual se delegam a terceiros os problemas intransferíveis da chamada salvação. O acesso ou não ao reino dos Céus passou a ser uma questão de servir ou não servir a determinada igreja. Os homens, que na parábola são comparados à figueira, deixaram de produzir as obras esperadas. Cresceram, agigantaram-se na conquista das posses terrenas e esqueceram-se do "Amai-vos uns aos outros". Passaram a adorar um deus de feição profundamente humana, deixando de lado o Deus misericordioso, piedoso e perfeito que nos foi legado por Jesus Cristo. A figueira tomou-se improdutiva. O Senhor da Seara, através da aplicação das suas leis sábias e eternas, aceitou a solicitação do Meigo Agricultor, de permitir que a figueira fosse beneficiada com novos recursos, estercando-a e revolvendo-se a terra, onde estava plantada. Através do Espiritismo foram revelados novos mananciais de ensinamentos, susceptíveis de se operar uma reforma, uma transmutação no Espírito do homem, que, assim, jamais poderá alegar falta de desvelo, de carinho, de dedicação. O Meigo Rabi da Galileia está restaurando na Terra as primícias da sua Doutrina, "derramando do Seu espírito sobre toda a carne", conforme vaticinou o profeta Joel. As "figueiras" estão sendo "adubadas" com novos recursos, o que equivale a dizer que os homens estão sendo aquinhoados com novos ensinamentos. Novas luzes estão se descortinando nos horizontes do mundo. Deste modo, ninguém poderá alegar ignorância, já que a luz agora é difusa. As mensagens não são mais bitoladas, circunscritas, censuradas. Elas surgem de modo amplo, irrestrito, ilimitado, em todos os lares, em todas as cidades, em todas as nações. As vozes do Céu penetram pelos telhados, avassalam os corações, empolgam as almas. Quando a Jerusalém dos desencantos, das maldades e da incompreensão for totalmente eclipsada, baixará dos Céus a Nova Jerusalém, de Amor, de Paz, de Luz, e, então, cumprir-se-á o vaticínio do Mestre, e a Humanidade poderá exclamar jubilosa: "Bendito Aquele que veio em nome do Senhor." (Mateus, 23-39)
3 - RODOLFO CALLIGARIS Esta parábola encerra mais uma das extraordinárias alegorias com que o Mestre retrata a situação moral da Humanidade terrena e, ao mesmo tempo, adverte-a sobre a sorte que a aguarda, caso não tome melhores rumos. Há muitos e muitos séculos o Senhor da fazenda, que é Deus, vem esperando pacientemente que esta nossa infeliz Humanidade, simbolizada pela figueira, produza bons frutos, ou seja, alcance a maturidade espiritual, implantando na Terra o reinado do Amor, da Justiça e da lídima Fraternidade. Jesus, representado na parábola pelo abnegado e diligente vinhateiro, tem-na agraciado com sucessivas revelações, cada qual mais perfeita, visando a despertar-lhe a consciência, fazê-la compreender os seus deveres para com Deus, para consigo mesma e para com o próximo; lamentavelmente, porém, ela não os tem levado a sério, continua presa às suas ilusões e fantasias, persiste em viver apenas para si, para a satisfação de seus gozos turvos, nada realizando no campo do Altruísmo. Como derradeira ajuda no sentido de salvá-la da esterilidade a que se abandonou, Jesus houve por bem enviar-lhe o Espiritismo, para mostrar ao vivo, com o testemunho das próprias almas trespassadas, a felicidade reservada aos bons, aos que procuram ser úteis, aos que obram com misericórdia, aos justos, aos humildes, aos pacíficos e pacificadores, aos limpos de coração, aos que se consagram ao bem-estar da coletividade, e, por outro lado, os sofrimentos por que passam os infrutuosos, os vingativos, os avarentos, os depravados, os orgulhosos, os opressores, os déspotas, os fazedores de guerras, os que se dão, por interesses vis, a toda a sorte de especulações, levando as massas populares à aflição e ao desespero. Se com isto os homens se regenerarem e aprenderem a viver em paz, vinculados pelo amor, dando cada um a contribuição de seu melhor esforço para uma nova civilização, em que desapareçam as conquistas, as sujeições de um povo a outro povo, os privilégios, os desníveis sociais, etc., bem está; caso contrário, todos quantos se mostrem recalcitrantes, insensíveis ou indiferentes a esse despertamento espiritual, serão transferidos para outros planos inferiores, a fim de que não continuem ocupando lugar neste planeta, do qual se terão tornado indignos, eis que, no correr do terceiro milênio, a Terra se irá transformando em um mundo regenerador, com melhores condições físicas e morais, propiciando a seus futuros habitantes uma existência incomparavelmente mais tranquila e mais feliz. Precatem-se, portanto, os homens e as instituições humanas! Os tempos são chegados, e o Senhor virá, em breve, buscar os frutos esperados. Desta vez, se não os achar, o machado entrará em ação, pondo abaixo toda galharia infrutífera. Rodolfo Calligaris
Esta é uma parábola que enfatiza a necessidade de produzir boas obras, pondo em prática o amor ao próximo – caridade que é amor em ação e que fala do poder da fé e do constante apoio do Plano Espiritual. A encarnação é para fins úteis, para o próximo e para si mesmo (reforma íntima ou aprimoramento pessoal ou individual). Se há falha, expia-se necessariamente, inclusive no plano espiritual (umbral), dando lugar pela desencarnação a outro a quem se dará a oportunidade que o que desencarnou não soube aproveitar. Pela fé, devemos pedir o que tem utilidade espiritual, pois a esterilidade é expressão do anormal que tende a ser extirpada (a dor e o sofrimento, então, atuam como aguilhões que impelem o recalcitrante). Pelas “folhas” tem-se o exterior das aparências, mas pelos “frutos” tem-se a substância, a riqueza do íntimo que se manifesta pelo fazer boas obras e pelo constante aprimoramento individual (há, então, conflito entre exterioridade e interioridade – ego externo e eu interno). Deve-se estar pronto a dar frutos a todo tempo, pois pelo livre arbítrio se pode agir tanto no favorável como no desfavorável (ambiente, circunstâncias). E é na adversidade que o homem é testado porque ser bom entre os bons, amar a quem nos ama, dar do que abunda, é sempre precário e gera acomodação e covardia. A parábola aplica-se, enfim, tanto a homens como a instituições. Bom estudo a todos.

